Humanos que não desligam o motor do carro quando estão à espera de alguém

Há várias coisas que os humanos fazem que, na melhor das hipóteses, deixam-me confuso. E algumas dessas coisas até já as abordei noutros textos deste meu blog. São acções e atitudes que alguns humanos fazem que, na minha opinião, parecem mostrar que esses humanos vivem numa espécie de realidade que nem paralela é.

No texto que escrevo neste momento e que o meu fantástico leitor ou fantástica leitora se dá ao trabalho de ler, abordo uma outra das coisas (mais uma) que alguns humanos fazem e que me deixam a perguntar “porquê?”

Você, certamente, terá já passado pela situação em que observa um condutor ou condutora dentro de um automóvel parado durante largos minutos enquanto espera por alguém (à porta de um prédio ou de uma escola ou de uma loja ou à porta de seja o que for). E mantém o motor ligado enquanto espera por esse alguém. E alguns desses condutores que esperam até se extraem da sua viatura, deixando-a sem ninguém no interior, mantendo, na mesma, o motor ligado.

E esse condutor mantém-se dentro ou fora da viatura parada à espera que alguém regresse ao carro ou, em alternativa, à espera de alguém com quem combinou que entre no carro. E enquanto espera, o motor fica ligado. E enquanto está ligado, está a gastar gasolina ou gasóleo e está a enviar, via tubo de escape, gases de estufa e outros gases tóxicos para o meio ambiente, contribuindo ainda mais para o aquecimento global e para envenenar o ar que todos os seres vivos respiram. E, claro, se está a gastar gasolina ou gasóleo, está também a gastar o seu dinheiro. Não seria tão mais simples, económico e ecológico esse condutor que espera desligar o motor enquanto espera?

Proponho dividirmos este problema em três partes. Na primeira, irei abordar as questões relacionadas com o ambiente e com a biodiversidade. Na segunda, dedicarei a minha atenção aos assuntos económicos. E, na terceira, cuidarei da preguiça.

Avancemos, então, para as questões relacionadas com o ambiente e com a biodiversidade. Parece-me um facto assente que este tipo de assuntos está na ordem do dia. E mesmo que os telejornais fiquem todo o tempo a falar no mesmo assunto (provavelmente uma guerra não sei onde), todos nós vivemos com o aquecimento global e com a extinção de inúmeras espécies. São assuntos que estão permanentemente no cenário em que vivemos. E todos nós, em maior ou menor grau, estamos conscientes disso.

Provavelmente todos nós sabemos que os combustíveis fósseis são prejudiciais para o meio ambiente e para a biodiversidade. E mesmo que não saibamos a razão pela qual eles são prejudiciais, possivelmente já ouvimos dizer que o são. Como exemplos desse tipo de combustíveis, temos o petróleo (tão necessário para a produção de gasolina e de gasóleo), temos o carvão e temos o gás natural. E não esqueçamos que o petróleo é diversas vezes assunto de notícia devido a um derrame que afectou e matou milhões de seres vivos de diversas espécies.

Portanto, se sabemos que os combustíveis fósseis são prejudiciais para o meio ambiente e para a biodiversidade, se sabemos que o nosso veículo a gasolina ou a gasóleo contribui para o aquecimento global e envenena o ar que respiramos, porque é que há humanos que mantêm o motor do automóvel ligado enquanto esperam por alguém? Será que eles estão tão desfazados da realidade que não sabem quais os efeitos adversos que provêm do seu automóvel? Será que eles gostam de respirar os gases tóxicos que são emanados pelo tubo de escape? Ou será que esses humanos se estão completamente a borrifar para as questões relacionadas com o ambiente e com a a biodiversidade?

Creio que é bastante claro que a nossa espécie está a ter um impacto negativo profundo no meio ambiente e na biodiversidade. Felizmente, há uns quantos de nós que tentam minimizar esse impacto e há até quem procure eliminar a sua pegada negativa. Mas, infelizmente, a nossa sociedade assenta em estilos de vida que se apoiam em factores prejudiciais para o ambiente e para a biodiversidade. E, infelizmente, ainda estamos dependentes desses factores. Veja-se, por exemplo, o caso dos combustíveis fósseis: a gasolina, o gasóleo e muita da electricidade que consumimos está dependente da sua extracção. E não é possível de um momento para o outro, deixarmos essa dependência. Se o fizéssemos, ficaríamos sem combustíveis para os meios de transporte e sem electricidade e o mundo como o conhecemos pararia. Deixaria de haver produtos à venda nos supermercados e as fábricas teriam de reduzir substancialmente a sua produção e muitas teriam mesmo de parar. A electricidade, na melhor das hipóteses, sofreria interrupções constantes, resultando em consequências negativas para os diversos sectores da nossa sociedade. Com tudo isto, o desemprego iria aumentar grandemente e iria ser criado caos e instabilidade política e económica. E devido à sobrepopulação humana actualmente existente na Terra, o cenário de caos seria potenciado.

Não sei se este cenário que criei acima será exactamente aquilo que iria acontecer no caso de, subitamente, deixarmos de consumir combustíveis fósseis. Mas é provável que não ande muito longe disso. Portanto, para evitar um cenário de caos global, parece-me que o mais sensato a fazer será uma mudança gradual rumo a uma sociedade mais amiga do ambiente e da biodiversidade. E esta mudança deve acontecer da forma mais rápida que for possível. Claro que, obviamente, uma mudança instantânea seria o ideal mas essa solução não é praticável. E claro que devíamos ter iniciado o percurso rumo a essa sociedade há muitas décadas, há mais de cem anos, e não apenas nas mais recentes.

E voltando ao caso que temos vindo a abordar, o tal de um condutor que aguarda no interior da sua viatura, mantendo o motor ligado. Não sendo praticável a citada mudança instantânea, é dever de cada um de nós fazer o que estiver ao seu alcance para, pelo menos, minimizar o impacto negativo sobre o meio ambiente e sobre a biodiversidade que cada um de nós transporta. E isso é algo que o referido humano que aguarda parece não fazer.

Passemos agora à segunda parte deste texto que servirá para abordar os assuntos económicos.

Como se fez saber algures, num lugar anterior deste escrito, o motor em funcionamento implica o gasto de gasolina ou de gasóleo. E consequentemente, e porque a viatura necessita desses líquidos para se movimentar, é requerido ao seu condutor que, volta e meia, passe pelo posto de abastecimento para preencher a lacuna que se faz habitar no depósito de combustível. E, para o fazer, é necessário trocar o líquido ambicionado por dinheiro. Ou seja, por outras palavras, quanto mais tempo o motor estiver ligado (mesmo que ao ralenti) maior é a quantidade de combustível que é gasto. É verdade que gasta pouco ao ralenti mas sempre gasta. Gasta o dinheiro do condutor do veículo e, regressando às questões ambientais, quanto mais gasolina ou gasóleo gastarmos, maior é o consumo de petróleo (e mais dependentes nos tornamos dos combustíveis fósseis).

Portanto, não me parece que seja favorável ao bolso do condutor manter o motor ligado durante uma carrada de minutos enquanto espera por alguém.

Eis-nos, finalmente, chegados à parte três deste meu escrito, aquela em que me debruço sobre a preguiça.

Será que dá muito trabalho girar a chave (ou qualquer outro sistema vigente) para desligar o motor do veículo? Será que é um esforço descomunal exercer essa acção? Bem sei que o condutor terá de colocar novamente o motor em funcionamento daí a algum tempo porque está apenas parado à espera de alguém e, assim que o esperado entrar no automóvel, a viagem reinicia-se. Mas, então, dá muito trabalho desligar o motor para ter de o ligar novamente daí a uns momentos (que podem ser vários minutos)?

Acredito que, em muitos casos, o condutor não saiba exactamente quanto tempo irá ter de aguardar por aquele ou por aquela que espera. E esse tempo poderá ser apenas de uns segundos (que, obviamente, é a situação ideal) ou poderá alcançar vários minutos. Podemos dizer que há uma incerteza quanto ao tempo de espera. Mas mesmo que seja apenas durante um minuto parece-me, pelas razões acima demonstradas, que o mais correcto a fazer será desligar o motor e colocá-lo em funcionamento quando for altura de iniciar a marcha.

E findas que estão as três partes do presente escrito, resta-me soltar algumas palavras, frases e, quem sabe, parágrafos, no sentido de tentar descobrir uma espécie de conclusão.

Ora, dado o que fui expondo ao longo do texto, qualquer condutor que ouse deixar em funcionamento o motor da sua viatura, causa dano não apenas ao meio ambiente e à biodiversidade mas também ao seu próprio bolso e propicia a dependência em relação aos combustíveis fósseis.

É certo que quando paramos num semáforo vermelho ou numa fila de trânsito podemos ter tendência a não desligar o motor. E, neste ponto, podemos calhar outra vez na incerteza de quando iremos retomar o movimento: não sabemos daí a quanto tempo irá acender o verde e não sabemos daí a quanto tempo o trânsito irá fluir. A questão do semáforo durará, provavelmente, uns segundos, ou pouco mais de um minuto. Na fila de trânsito pode ser um pouco mais complicado saber quando irá ser feito o avanço porque está dependente de vários factores (se é trânsito da hora de ponta, se é um acidente, se são obras na estrada ou se se trata de qualquer outra coisa).

Ainda assim, num semáforo ou numa fila de trânsito há a noção de movimento. Ninguém pára num semáforo ou no trânsito porque quer. Quem pára no semáforo vermelho é porque respeita o código da estrada e quem pára no trânsito é porque não quer colidir com quem segue à sua frente. Mas quem fica parado à porta de qualquer edifício ou de qualquer estabelecimento não está limitado nem pelo semáforo, nem pelo trânsito. Então porque não desliga o motor?

E, já que falámos de trânsito, seria conveniente converter muitos empregos para o regime de teletrabalho porque trará benefícios para o meio ambiente, para a biodiversidade, para nós próprios e, claro, para diminuir consideravelmente a quantidade de trânsito presente nas estradas. Criei um vídeo a esse propósito: Benefícios do teletrabalho para o meio ambiente.

Ou, talvez, devêssemos voltar a usar cavalos, burros ou mulas como meio de transporte, com ou sem carroça. Ou andar a pé para as distâncias mais curtas.

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