Chegar ao cume do Monte Everest

Ia um ano do século vinte, mais precisamente o de mil novecentos e cinquenta e três, quando dois homens tocaram o topo do Monte Everest. E quando digo que tocaram, não significa isso que lhe tenham apenas tocado com a ponta dos dedos envoltos nas luvas. Eles foram além desse toque e estiveram de pé sobre o topo do mundo. Edmund Hillary e Tenzing Norgay habitaram por alguns minutos o ar e o chão que fica a oito mil oitocentos e quarenta e oito metros de altitude.

A chegada ao topo que fiz surgir no primeiro parágrafo deste texto marca a primeira vez confirmada que os humanos chegaram ao topo do Everest. Existe, porém, a possibilidade que outros, anteriormente, tenham pisado o mesmo chão. É o que acontece com George Mallory e Andrew Irvine, no ano de mil novecentos e vinte e quatro. No entanto, continua a não haver nenhuma prova conclusiva que estes dois tenham, de facto, atingido o cume do Everest. A última vez que foram vistos, escalavam em direcção ao topo. O corpo de George Mallory foi encontrado em mil novecentos e noventa e nove.

Assim, como conquistadores do cume do Everest, ficam para a História os nomes de Hillary e de Norgay. O primeiro, nascido na Nova Zelândia e o outro primeiro, nascido não muito longe do Monte Everest. Há algumas incertezas no que respeita aos primeiros anos de idade de Tenzing Norgay, nomeadamente quanto ao seu local e data de nascimento. Ambos faziam parte da expedição liderada por John Hunt que incluía, entre os participantes, vários Sherpas, entre o quais o próprio Norgay.

Os Sherpas são um grupo étnico das regiões montanhosas do Nepal e do Tibete e, trabalhando como guias e noutras funções, foram de enorme importância para os primeiros exploradores europeus que chegavam às imediações do Everest. Actualmente o termo “Sherpa” generalizou-se e há quem o use para definir determinados elementos que fazem parte das equipas das expedições ao Everest e que têm como função carregar o material necessário, servir refeições, etc, e que podem nem pertencer à etnia Sherpa. Foi, por isso, criada uma distinção entre “Sherpa” com S maiúsculo e “sherpa”, com s minúsculo, entregando-se a primeira apenas a quem pertence à etnia. Assim é na língua inglesa mas desconheço se esta distinção é aplicada na língua portuguesa.

Claro que, em português, pode utilizar-se “xerpa” com X, palavra que até surge nos dicionários. Mas, pessoalmente, prefiro com “s” “h” porque parece-me dar à palavra uma maior leveza e elegância. Algo que o “s” “h” dá e que o “x” não dá. Comparemos “xilofone” com “shilofone”. Ou até “shilophone”. Ou “shylophone”. Ou “shylophon”. É claro que à medida que utiliza diferentes letras, a sonorização da palavra pode tornar-se diferente. Podemos considerar que o último dos exemplos se diz “xilofôn”, tendo o primeiro “o” um som que se situa entre o “ó”e o “ô”. Mas estou a desviar-me do tema deste escrito. Regressemos.

Pode escrever-se muito mais acerca dessa primeira escalada ao Everest e de outras expedições anteriores e posteriores mas opto por fechar este texto, debruçando-me sobre a sua localização geográfica. O Everest situa-se na Cordilheira dos Himalaias, na Ásia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete. Nesta cordilheira habitam vários dos cumes mais altos da Terra, alguns deles a mais de oito mil metros de altitude.

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